MateriaisPartituraAndrew Carlins•9 min de leitura

Como funcionam os níveis de dificuldade das partituras

Iniciante, intermediário, avançado, grau 1 a 8: o rótulo de dificuldade muda de sentido conforme quem escreveu. Veja o que de fato deixa uma música difícil, como os principais sistemas de graus se alinham e como encontrar a partitura certa para cada pessoa.

Níveis de dificuldade em partituras: o que torna uma música difícil de tocar e como os graus da ABRSM e do RCM se comparam

Faz parte do nosso glossário de termos de notação musical.

Os rótulos de dificuldade das partituras mudam de sentido conforme quem escreveu. O “intermediário” de uma editora pode estar a um grau inteiro de distância do de outra, e “grau 3” tem um significado preciso num sistema de exames, mas nenhum significado fixo num site de download. Por baixo dos rótulos, porém, são sempre os mesmos poucos fatores que decidem o quanto uma música é difícil de tocar. Quem entende esses fatores, e sabe como os principais sistemas de graus se alinham, consegue enxergar além da palavra de marketing na capa e escolher a partitura certa para a pessoa que está na sua frente.

O que de fato torna uma música difícil

A dificuldade vem de vários fatores, e uma música pode exigir muito em um deles e quase nada em outro. Estes são os que mais pesam:

  • Densidade de notas. Quantas notas soam ao mesmo tempo. Uma linha de melodia sozinha é muito mais fácil de ler e tocar do que acordes cheios em todo pulso.
  • Andamento. O mesmo trecho vira outra coisa a 60 batidas por minuto e a 140. Com mais velocidade, sobra menos tempo de reação e a exigência técnica sobe.
  • Complexidade rítmica. Semínimas regulares são fáceis de contar; síncopes, quiálteras e subdivisões rápidas pedem um timing preciso.
  • Extensão e saltos. Música que fica debaixo da mão é mais fácil do que música que obriga você a pular de um lado a outro do instrumento e cair na nota certa.
  • Armadura de clave. Quanto mais sustenidos ou bemóis, mais coisa para lembrar, e alguns tons são mais desconfortáveis para os dedos do que outros.
  • Coordenação. Principalmente no piano, fazer as duas mãos tocarem coisas independentes ao mesmo tempo é uma das habilidades mais difíceis de desenvolver.

Quando um nivelador deixa uma música mais fácil, é nesses botões que ele mexe. Nosso guia sobre o nivelador de partituras mostra exatamente quais e quanto.

Os sistemas de exames por graus

Os critérios de dificuldade mais rigorosos vêm das instituições de exames de música por graus, que avaliam quem toca com base num programa fixo. Duas delas dominam o mundo de língua inglesa.

ABRSM (graus 1 a 8)

A Associated Board of the Royal Schools of Music tem um sistema de oito graus: o grau 1 é o primeiro nível formal e o grau 8 já é avançado. De forma geral, os graus 1 e 2 são de iniciante, os graus 3 a 5 cobrem o intermediário e os graus 6 a 8 entram no avançado. Abaixo do grau 1 ainda existem o nível Initial e etapas preparatórias para quem está bem no começo. Como o programa é fixo, um grau da ABRSM diz muito mais sobre a dificuldade do que um adjetivo de editora.

RCM (Preparatory ao grau 10)

O Royal Conservatory of Music, muito usado no Canadá e nos Estados Unidos, tem uma sequência mais longa: primeiro os níveis Preparatory, depois os graus 1 a 10 e, acima deles, um certificado avançado. Como um material parecido se espalha por mais graus, cada grau do RCM representa um avanço menor do que um grau da ABRSM. Grosso modo, os dois sistemas se encontram no topo, e o grau 8 da ABRSM corresponde ao grau 10 do RCM. Equivalências entre sistemas são sempre aproximadas, então use isso como referência geral, não como tabela de conversão.

Iniciante, intermediário, avançado

Fora do mundo dos exames, a maioria das partituras usa rótulos mais soltos: iniciante, intermediário e avançado. Eles são um atalho útil, desde que você lembre que cada editora usa do seu jeito. Em linhas gerais:

  • Iniciante. Melodias simples, ritmos básicos, extensão pequena e, muitas vezes, as duas mãos tocando partes parecidas ou simples. Equivale mais ou menos aos dois primeiros graus.
  • Intermediário. Mãos tocando de forma independente, ritmos mais variados, mais tonalidades e músicas mais longas, que pedem resistência. São os graus do meio.
  • Avançado. Trechos rápidos, texturas densas, saltos grandes e as exigências técnicas e de interpretação dos graus mais altos.

O seletor de dificuldade do Songscription segue uma progressão parecida. Os níveis têm nome e vão do primeiro nível de iniciante, passando por iniciante, início do intermediário, intermediário e fim do intermediário, até a transcrição original. São degraus menores do que os de três categorias largas.

Como escolher a partitura certa para quem vai tocar

Na prática, a pergunta raramente é “que grau é este?” e quase sempre é “essa pessoa consegue tocar isso?”. Um jeito confiável de avaliar: peça para a pessoa ler à primeira vista um trecho curto. Se ela conseguir passar por ele devagar, mesmo tropeçando, é uma boa música para estudar. Se não conseguir nem achar as notas, está acima do nível dela; se sair sem esforço nenhum, não vai fazer ela crescer, porque o nível certo fica logo depois do confortável.

Quando a música que a pessoa quer tocar passa dessa linha, você não precisa desistir da música. Com um nivelador, você baixa a dificuldade até o nível atual da pessoa e volta a subir conforme ela evolui. É essa a ideia por trás de aprender primeiro uma versão mais simples da música. Nossos guias sobre aprender músicas no piano mais rápido e sobre transcrever e aprender músicas ao mesmo tempo seguem esse caminho. Se você dá aula, o texto sobre transcrição com IA para professores de música mostra como aplicar isso aluno a aluno.

Perguntas frequentes

O que torna uma partitura difícil?

Vários fatores se somam: quantas notas soam ao mesmo tempo, o andamento da música, a complexidade do ritmo, o tamanho dos saltos que as mãos precisam fazer, a armadura de clave e a coordenação exigida entre as mãos. Uma música pode ser difícil num desses pontos e fácil em outro, e por isso um rótulo único de dificuldade sempre conta só parte da história.

Como os graus da ABRSM e do RCM se comparam?

Os dois são sistemas de exames por graus que vão do iniciante ao avançado. A ABRSM usa os graus 1 a 8; o RCM vai do nível Preparatory ao grau 10. Nas pontas, eles se alinham mais ou menos. Como o RCM tem mais graus, um material parecido se espalha por mais etapas, e o grau 8 da ABRSM corresponde, de modo geral, ao grau 10 do RCM. Qualquer equivalência entre os dois sistemas é aproximada, não exata.

O que significam iniciante, intermediário e avançado?

O nível iniciante tem melodias simples, ritmos básicos e uma extensão pequena, mais ou menos os dois primeiros graus. O intermediário traz as mãos tocando de forma independente, ritmos mais complexos e mais tonalidades, e fica nos graus do meio. O avançado tem trechos rápidos, texturas densas, saltos grandes e as exigências dos graus mais altos. Esses rótulos são um atalho útil, mas cada editora usa do seu jeito.

Dá para mudar a dificuldade de uma partitura?

Sim. Um nivelador de dificuldade reescreve a partitura numa versão mais fácil: diminui o número de notas que soam ao mesmo tempo, simplifica os ritmos e reduz a extensão, sem mudar a música em si. O Songscription gera níveis desde o primeiro nível de iniciante até a transcrição original, então você pode ajustar a música ao nível de quem toca e subir a dificuldade conforme a pessoa evolui.

Sobre quem escreveu

Andrew Carlins

Escrito por

Andrew Carlins

Cofundador e CEO, Songscription

Andrew fundou o Songscription em Stanford com alguns outros músicos que estavam cansados de não achar as notas das músicas que queriam tocar. Cresceu tocando piano e sax barítono e fazendo teatro musical. Faz anos que não sobe num palco, mas gosta de pensar que continua afiado. Aqui ele escreve sobre como tirar uma música da gravação e passar para o papel.

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