MateriaisPartituraAndrew Carlins•6 min de leitura

O que é um fake book?

Um fake book é uma coletânea grossa de lead sheets, uma música por página, só com melodia e acordes. Veja o que ele é, onde o Real Book entra nessa história e como montar o seu com as músicas que você toca.

O que é um fake book: uma coletânea de lead sheets só com melodia e acordes, uma música por página, e como montar o seu

Faz parte do nosso glossário de termos de notação musical.

Um fake book é uma coletânea grossa de músicas escritas como lead sheets (as partituras cifradas), uma por página, só com a melodia e as cifras, mais a letra quando tem. O nome vem da ideia de que esse esqueleto basta para um músico experiente “fingir” (to fake, em inglês) uma apresentação completa. Com um fake book debaixo do braço, quem toca leva centenas de músicas para o show num volume só.

É uma ferramenta de trabalho. Ele põe um repertório enorme num volume que cabe de verdade na estante de partitura.

O que é um fake book

Um fake book é um livro encadernado de lead sheets. Cada página traz uma música reduzida ao essencial: a melodia numa pauta só, com as cifras em cima e a letra, quando a música tem. Costuma reunir centenas de músicas, e é para ter essa variedade à mão que ele existe.

Ele é feito para quem toca em show e precisa de muito repertório num lugar só. Um pianista que atende pedidos, um grupo de jazz que puxa standards, alguém que canta com acompanhador: ninguém ali consegue levar um arranjo completo para cada música que o público pode pedir, mas todos conseguem levar um fake book. Como cada entrada é só uma lead sheet, quem toca cria o acompanhamento por conta própria. Se quiser entender o formato em detalhe, veja o que é uma lead sheet. O primo ainda mais enxuto, a folha só com os acordes, aparece em o que é um chord chart.

O Real Book

De longe, o fake book mais famoso é o Real Book, uma grande coletânea de standards de jazz que quase todo músico de jazz já teve nas mãos em algum momento. O nome é um trocadilho proposital com “fake book”, em que o falso vira verdadeiro.

O Real Book começou nos anos 1970 como uma edição pirata, sem autorização, montada por estudantes da Berklee College of Music que queriam partituras confiáveis das músicas que estavam aprendendo. Ele circulou durante anos sem licença e sem pagar direitos autorais aos compositores. Não era oficial, e isso explica em parte por que ele e outros livros parecidos ganharam o nome de “fake”. Essa época passou. Hoje a Hal Leonard publica edições legais e licenciadas do Real Book, com os direitos devidamente acertados.

Fake book ou songbook

Um fake book e um songbook podem ficar lado a lado na estante e parecer iguais, mas o que cada um entrega é bem diferente. Aqui, songbook tem o sentido que a palavra tem em inglês, o de livro com arranjos completos.

  • Fake book: o esqueleto de lead sheet de cada música, só melodia e acordes. Você lê a melodia e monta o acompanhamento.
  • Songbook: arranjos completos, escritos por inteiro, muitas vezes para piano e voz, com o acompanhamento anotado nota por nota. Você toca o que está na página.

De um lado ficam abrangência e flexibilidade, do outro, detalhe. Um fake book põe centenas de músicas num volume e deixa você interpretar cada uma como quiser, mas exige que você conheça os acordes e complete o resto. Um songbook dá um arranjo completo e repetível de cada música, só que cobre bem menos músicas e prende você a um jeito de tocar. Nenhum dos dois é melhor, porque cada um atende a uma necessidade diferente.

Monte seu próprio fake book

Você não precisa comprar um fake book para ter um. Dá para montar o seu com as músicas que você toca de verdade, e muitas vezes ele sai mais útil do que uma coletânea genérica, porque cada página está ali por um motivo. O trabalho é transformar cada música numa lead sheet, com melodia e acordes, e juntar tudo.

A parte demorada é tirar a melodia e os acordes de cada música. Essa etapa você resolve transcrevendo a gravação. O Songscription extrai a melodia junto com os acordes de uma gravação nas opções de arranjo. Depois você exporta o resultado para MusicXML e abre num editor de partitura para diagramar uma lead sheet limpa. Faça isso com cada música que quiser e você tem um fake book feito exatamente com o seu repertório. Nosso passo a passo sobre como transcrever uma lead sheet a partir de uma gravação mostra esse processo do começo ao fim.

Perguntas frequentes

O que é um fake book?

Um fake book é uma coletânea de lead sheets, só com melodia e acordes, uma música por página. Ele junta centenas de músicas num volume só, e quem vive de tocar leva o repertório inteiro de uma vez. O acompanhamento, cada um cria por conta própria.

Por que ele se chama fake book?

Porque a melodia e os acordes bastam para quem toca “fingir” (to fake, em inglês) um arranjo completo na hora. Os primeiros fake books também eram coletâneas não oficiais, sem licença, e isso deu ao nome um segundo sentido.

O que é o Real Book?

O Real Book é o fake book mais conhecido, uma grande coletânea de standards de jazz em lead sheet. Ele começou nos anos 1970 como uma edição pirata feita por estudantes da Berklee e hoje tem edições legais e licenciadas, publicadas pela Hal Leonard.

Como montar meu próprio fake book?

Transcreva as músicas que você toca em lead sheets e junte tudo num livro. Você pode tirar cada música de ouvido ou deixar a IA extrair a melodia e os acordes de uma gravação. Depois é só exportar para MusicXML e diagramar cada uma como lead sheet.

Sobre quem escreveu

Andrew Carlins

Escrito por

Andrew Carlins

Cofundador e CEO, Songscription

Andrew fundou o Songscription em Stanford com alguns outros músicos que estavam cansados de não achar as notas das músicas que queriam tocar. Cresceu tocando piano e sax barítono e fazendo teatro musical. Faz anos que não sobe num palco, mas gosta de pensar que continua afiado. Aqui ele escreve sobre como tirar uma música da gravação e passar para o papel.

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